Artistas criando vidas

Alunos do curso de Interpretação para Produções Audiovisuais e a professora Clarice Niskier.

Durante o turno de manhã da aula de Interpretação para Produções Audiovisuais( IPA ), no dia 03 de agosto, atores receberam seus textos. O roteiro de cinema, que muito se difere do roteiro teatral, tem abreviações e indicações para os variados departamentos do audiovisual, como arte e som. Se uma piscadinha no teatro pode ser passada despercebida pela distância com o público, no cinema essa reação sutil pode mudar todo o contexto da história. Se no teatro atores entregam longos monólogos para transmitir suas emoções, junto com linguagem corporal intensa, no cinema a regra é clara: menos é mais. A presença dos professores Gilson de Barros, coordenador do curso de interpretação e ator que já trabalhou com grandes nomes do teatro como Amir Haddad e Domingos de Oliveira, e Daniele Vitorino, coordenadora do curso de direção e produtora do longa "A Família Dionti", numa parceria Inglaterra e Canal Brasil, propôs um diálogo e um contraponto entre essas duas formas de arte.


O Polo Audiovisual Ponto Cine, que além do curso de Interpretação para Produções Audiovisuais, possui também uma turma com alunos de Direção Audiovisual( DAV ) para o cinema, vai incorporar os dois na realização de cinco curtas diferentes, separando cada ator nos filmes que participarão. Eles receberam seus textos, analisaram seus personagens e absorveram a história: qual a melhor forma de criar essas vidas que estão no papel e atender às expectativas do diretor? Naturalmente, essas dúvidas surgiram. Mas o mais importante: entender que não há papéis descartáveis em um filme. “Por que eu peguei um papel pequeno?” ou “Por que ele é o protagonista?”. Se o personagem está lá, ele é fundamental, e não só uma peça na história, para o ator, significa construir vidas e realidades.


É fundamental para o ator, poder dialogar principalmente com o diretor, sobre suas dúvidas. O quanto dele estará em quadro, qual a ordem de cenas que vão ser filmadas, se ele estará em cena ou só sua voz. Todos esses elementos afetam o trabalho de interpretação, e são desafios a serem superados a cada personagem, e o que mais difere o cinema e o teatro. Afinal, como se manter no personagem se a primeira cena filmada, é a última do roteiro?


Ao som de músicas, alunos interpretam os textos que escrevem.


Se o turno da manhã se dedicou a entender as diferenças entre o teatro e o audiovisual, o turno da tarde foi um trabalho de interpretação que colocou os atores para enxergarem dentro de si. A professora Clarice Niskier, veterana do teatro, com sua peça "A Alma Imoral" a mais de uma década em cartaz, e com diversas participações televisivas, entre elas a famosa série da Globo, "Sob Pressão", propôs o exercício de cada aluno escrever um monólogo ou uma frase. Não importava se era original ou tirado de outro lugar: precisava ser algo que ressonasse com eles. Enquanto cada um lia, na frente de todos, uma música aleatória tocava: poderia ser melancólica ou animada. Ao mesmo tempo, Clarice incitava outros alunos a interagirem com quem estava na frente.A aula como um todo, dependeu de muita improvisação, pois qualquer texto pode ser lido como comédia ou tragédia. A emoção não pertence às palavras, mas às atitudes humanas.


Para os alunos de Interpretação, a lição mais importante, foi aliar o pensamento com a presença física. Ou seja, sentir as emoções pelo corpo todo e ser sua própria forma de estímulo. Às vezes um ator pode estar muito preso à idéia de quebrar metodicamente, passo a passo o personagem, em ações e memorizá-las na cena. Mas na hora de repetir, perde o fôlego. Entretanto, aquele ator que cria seus próprios estímulos, para entregar uma mesma frase de forma feliz ou triste, tem a convicção e confiança para dar o seu melhor.


Os exercícios são realizados várias vezes de diferentes maneiras.

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