Abertura dos cursos no Ponto Cine em parceria com o IFRJ - por Adailton Medeiros.



Laura Carneiro, Thiago Sales, Cristiane Henriques, Ingrid Viter, Adailton Medeiros

Dia 18 de maio de 2019, 131 anos e cinco dias da Abolição da Escravatura. 13 anos e oito dias da inauguração do Ponto Cine, a Primeira Sala Popular de Cinema Digital do Brasil; o Único Cinema da América Latina a possuir um Selo Carbon Free, já tendo compensado sua queima de carbono com o plantio de 18 mil mudas de árvores de Mata Atlântica, numa área correspondente a 27 campos de futebol, 27 Maracanãs, uma considerável Floresta; O Maior Exibidor de Filmes Brasileiros do Mundo, pois somos o maior exibidor de filmes brasileiros em todo o território nacional, reconhecidamente pela Ancine – Agência Nacional de Cinema -, através do PAR – Prêmio Adicional de Renda -, e como fora do Brasil pouco se exibe os filmes brasileiros, nos auto proclamamos o Maior Exibidor de Filmes Brasileiros do Mundo, quiçá, do Universo.


18 de maio de 2019, Dia que se torna histórico para nós de Guadalupe, do Complexo do Chapadão, Gogó da Ema, Palmeirinha, Muquiço, nosso Território cravado no subúrbio da Zona Norte da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Ou seja, mais um pequeno passo para a segunda abolição: a inauguração do Polo Audiovisual Ponto Cine, Complexo estruturado, a princípio, sobre os pilares de uma Sala de Exibição e uma Escola Criativa, em parceria com o IFRJ – Instituto Federal do Rio de Janeiro -, como curso de Extensão em Audiovisual, graças a sensibilidade e empenho do seu Reitor Rafael Almada.


O Retorno do Ponto Cine só foi possível graças a esse convênio com o IFRJ, onde a grande protagonista foi a Deputada Federal, à época, Laura Carneiro, que de imediato ao saber do fechamento das portas do Ponto Cine, em fevereiro de 2018, chamou a atenção do Brasil em discurso no Plenário da Câmara em Brasília, destacando a importância do Ponto Cine como modelo socioambiental inovador e, em especial, para a cinematografia brasileira, como alfabetizador do olhar e formador de plateia. O que sensibilizou o ex-ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, hoje Secretário de Cultura da Cidade de São Paulo.

Em uma reunião no Gabinete do ex-ministro, com a minha presença, a da deputada Laura Carneiro, do reitor Rafael Almada, da Secretária de Audiovisual, à época, Mariana Ribas, hoje Secretária de Cultura da Cidade do Rio de Janeiro, do nosso assessor de imprensa Paulo Almeida e do Coordenador do Ponto Cine Thiago Sales, ficou acordado uma verba para retornarmos as atividades, através de um convênio com o IFRJ.

Foi o pulo do gato para darmos início ao que sempre sonhamos: nos transformar em um Polo Audiovisual, com uma escola criativa de formação técnica, no coração do subúrbio carioca, em Guadalupe, Zona Norte, já esbarrando na Zona Oeste.


Hoje esse sonho está se concretizando com duas turmas de 25 alunos cada uma, direção e dramatização, totalizando 50 estudantes. 50 escolhidos entre 322 inscritos e também muito bons, altamente competentes e capacitados para participarem do curso, mas só havia 50 vagas. O critério foi rigoroso e, certamente, entre tantos bons, ficaram os melhores. De forma que, se do nosso lado, Ponto Cine, temos que mostrar que esse Polo, hoje de e Exibição e Formação, será reconhecido como um dos mais importantes do País, esses selecionados terão que dar o melhor de si, a ponto de se superarem e ganhar o mercado, porque aqui de dentro sairão grandes oportunidades, pois o nosso corpo docente é formado por um time de campeões, profissionais de notório saber, professores universitários, cineastas, diretores teatrais, atores, produtores, roteiristas, teatrólogos, escritores; enfim, uma galera que transita entre a Academia e o Mercado Audiovisual. Lógico, isso graças aos nossos Coordenadores de Curso, a fantástica Daniela Vitorino e ao Gilson de Barros, meu parceiro de vida, amigo e irmão.


A título de curiosidade, em apenas duas semanas, intercaladas por feriadões, 322 pessoas se inscreveram para participar do curso. Uma disputa de 6,4 candidatos para cada vaga. Isso, em si já é uma grande surpresa. Porém, em nenhum comunicado ou anúncio divulgamos a grade dos cursos. Ou seja, em duas semanas, com seis dias úteis, 322 pessoas se inscreveram para concorrer a uma vaga nos cursos de audiovisual pela confiança que tem na marca Ponto Cine e na reputação conferida a ela nesses 13 anos. Sim, isso é muito prestígio, mas para nós suburbanos, isso é muita onda, fodástico!


Mas isso não aconteceu de um dia pro outro não. Começou na segunda metade dos anos 70, quando um grupo de jovens, liderados por Gilson de Barros, meu compadre, padrinho da minha filha mais velha, Gabriela, diretor de todas as minhas peças de teatro e coordenador do curso de atores aqui do Polo, se juntou para criar o Grupo Teatro Nascente, em Anchieta, e montar o espetáculo “Tribunal de Coisas”, do maranhense Chico Mattos. Peça que durou 9 meses de ensaio para estrear, um verdadeiro parto. Foi um sucesso. Com as nossas árvores de isopor, figurino precário, porém músicas riquíssimas e atuações “desbundantes”, gíria da época, ficamos em terceiro lugar no Festival Inter-regional do Rio de Janeiros, atrás de nada mais nada menos que “Asdrúbal Trouxe o Trombone”, de onde saíram Regina Casé, Luiz Fernando Guimarães e Perfeito Furtuna, e do Banduendes Por Acaso, criado por Patrícia Travassos e Evandro Mesquita, ex-integrantes do Asdrúbal. Ou seja, na verdade só perdemos pro Asdrúbal. Éramos fodas e não sabíamos.


Depois houve um hiato de 11 anos, quando fui pra Região Amazônica. Quando voltei pro Rio já estava engajado no Projeto Lonas Culturais.

Em 1993 a Lona de Campo Grande, Elza Osborne, foi inaugurada e se iniciou o movimento pela Lona de Bangu. Gilson estruturou o projeto, encabeçou o movimento e me convidou para participar. Surgiu assim a Lona Cultural Hermeto Pascoal, na Praça 1º de Maio, ali começou de fato o projeto Lonas Culturais, tudo carregado de muita simbologia.


Paralelamente eu montei a Casa de Artes de Anchieta e a Rádio Comunitária Virtude Fm, porta-voz das nossas ações e luta pela Lona Cultural de Anchieta, a Carlos Zéfiro, peleja que durou 4 anos até ser concretizada. Ali eu introduzi o cinema nas Lonas, Gilson deu destaque ao teatro trazendo grandes espetáculos e montou a primeira companhia de teatro das Lonas a ocupar outros espaços culturais da cidade. É na Carlos Zéfiro, no grupo de teatro mais especificamente, que surgiu um garotinho metido à beça, 14 anos, líder estudantil, todo articulado, o ex ator, ex possível candidato a vereador e um dos maiores produtores culturais do Brasil, Thiago Sales.


Bom, com a quinta Lona, a nossa, a Carlos Zéfiro, o número de público superou toda a plateia somada da Rede de Teatro do Rio. Isso virou um problema. E foi assim que nos tornamos o primeiro grupo a ser deposto de uma Lona Cultural.

Virei produtor do projeto Cinema BR em Movimento, a convite do cineasta Alberto Graça. Em dois anos surgiu a oportunidade de criar o Ponto Cine, esse projeto que é referência pra tanta gente, pra cidade, pro Estado, pro País. Estou com 56 anos, mas o meu consolo é que o Gilson de Barros, diretor do Parque das Ruínas, em Santa Teresa, é mais velho do que eu dois anos e está careca.


Nada disso seria possível sem essa equipe maravilhosa do Ponto Cine, Ingrid, a bilheteira fotógrafa, a Suellen, nossa estagiária que se transformou numa grande profissional, Jhonatan, nosso Jow, o cara mais simpático e comunicativo de Guadalupe, Paulo Almeida, parceiro de anos que nos bota direto na mídia, Eliel de Oliveira, nosso gênio mágico que tem solução pra tudo, Daiane Pereira, a mulher que manda na gente; Guilherme Rocha, o cara que dá a cara do Ponto Cine; Wallace Rocha, nosso Avatar e Thiago Sales, que comanda essa equipe como ninguém e todos os processos do Ponto Cine, também... desde os 14 anos, hoje com 33, 19 anos... Isso não é parceria, é karma!

Tenho certeza que hoje é mais um início de um novo sucesso. Não uma reinvenção, chegar aqui era uma meta, uma busca. Chegamos e vamos além.


Não tem como não destacar que esses 50 selecionados não irão pagar nada por esse curso de excelência, não terão que tirar dinheiro do bolso pra arcar com mensalidades, geralmente, impossíveis, conforme relato da maioria durante exposição presencial a que cada um teve direito. Muito pelo contrário, inversão total. Aqui se recebe pra estudar. Todos os alunos tem ajuda de custo, que cobre seu transporte e sua alimentação.


Finalizando. O Ponto Cine não é um cinema de resistência; é contemporâneo, inovador, pós vanguarda. É a Primeira Sala Popular de Cinema Digital do Brasil, o Único Cinema da América Latina Certificado com o Selo Carbon Free, o Maior Exibidor de Filmes Brasileiros do Mundo e o Grande Paradigma Cinematográfico, privado, cravado no subúrbio carioca do Rio de Janeiro, que formará grandes profissionais, que colocarão o Brasil e sua cultura em evidência mundo a fora.


Pode parecer que estamos sempre na contramão, mas não. Esse é o sentido exato, democrático e amplo. O Brasil somos todos nós. Quem sabe dia 18 possa ser o marco da segunda abolição daquela escravatura que nos condena a ocupação de 92% das salas de exibição brasileiras a um único filme.


Eles podem ser vingadores, mas nós somos talentosos o bastante pra contar as nossas histórias, isso basta! Viva o cinema brasileiro! Viva o Polo Audiovisual Ponto Cine!

Texto: Adailton Medeiros. Idealizador do Ponto Cine.



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