Sem equipe, não há filme


O professor Stefan Hess ensina aos alunos sobre diferentes técnicas do cinema.

A maneira como um personagem entra em cena é importantíssima no cinema. Se observamos ele de corpo todo, se acompanhamos o seu ponto de vista ou se entendemos sua entrada apenas pelo som, tudo isso faz parte de um trabalho aprimorado do diretor, ator e dos departamentos de fotografia, montagem e arte, para utilizar as imagens a favor de seu filme. Um close errado ou um corte brusco pode afetar imediatamente a imersão do espectador naquela história. Portanto, é uma corda fina na qual o realizador caminha, mas uma, de muito espaço à experimentação.


O turno da manhã da aula de Direção Audiovisual (DAV), oferecida pelo Polo Audiovisual Ponto Cine, contou com a presença do professor Stefan Hess, fotógrafo a mais de 30 anos e diretor de fotografia do filme “O Sonho de Inacim”, que aprofundou os conhecimentos já apresentados sobre o chroma key. Essa prática, que se tornou comum na indústria do cinema e televisão desde que foi usada pela primeira vez em 1940, no filme “O Ladrão de Bagdá”, consiste em substituir um fundo de cor, geralmente verde ou azul, por outra imagem, criando cenários, exércitos, explosões e até colocando o Superman para voar! Com a data de filmagem dos curtas chegando, os alunos estão se aproximando cada vez mais de técnicas que os permitam melhor contarem as histórias que criaram. Além do chroma key, outra ferramenta para uso é o do steadycam: trata-se de um sistema que acopla a câmera ao corpo do operador, estabilizando a imagem e permitindo o operador se movimentar pelo espaço. Já o slider, permite uma fluidez nos movimentos de câmera e dando mais harmonia para a imagem.


O alunos colocam a mão na massa e experimentam os equipamentos.

Na realização de um filme, equipe é tudo. Por isso, cada departamento possui assistentes que os ajudam a elaborar, mesmo tarefas que a princípio pareçam banais, mas que em um set de filmagens, provam acelerar e tornar o processo menos desgastante. É por isso, por exemplo, que os operadores de câmera possuem um assistente especificamente para ajeitar o foco da máquina. Sem equipe, não há filme.

Uma das funções mais importantes e menos lembradas do cinema é a do montador, responsável por juntar as cenas e muitas vezes, criar um novo filme a partir disso. O turno da tarde da turma de DAV contou com uma introdução ao universo da montagem, pelo professor Renato Valloni, vencedor do prêmio de montagem documental no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro por seu trabalho no filme “Cinema Novo”. Assim como Michelangelo e Da Vinci estudavam a anatomia de cadáveres para reproduzirem com precisão em suas pinturas, o montador é responsável por ressignificar o filme a partir de suas “vísceras”, sejam suas imperfeições ou suas virtudes. O filme é um corpo vivo.


Assim como erros e acertos ajudam a montar uma história, as doses de realidade, mesmo na ficção, ajudam a potencializar a narrativa. O acaso, acaba por ser fundamental nesse processo. Imagine gravar um filme sobre os conflitos políticos do país e, no fundo, pegar imagens de uma passeata ou manifestação. Algo que nem havia sido previsto, mas que dá os toques de realismo que toda história precisa. Não só o acaso, como também a consciência são importantes para a imersão do espectador. Tratar temas sociais como pobreza, racismo e homossexualidade não só como tragédia, mas também como símbolos de luta e força, dialogam com os públicos que assistem e se identificam com aquilo.


O bom montador é aquele que está atento às necessidades e possibilidades do que o filme pede. Utilizar mesmo material de ensaio pode fornecer algo que complemente a cena. Para que possa fazer seu trabalho, o montador deve ter sempre um bom diálogo com o diretor: ambos trabalham juntos na realização do melhor filme, e a montagem é, afinal de contas, a última versão do roteiro. A definitiva, que vai ser vista pelo público. Decompondo para recompor, se todas as partes trabalham juntas em harmonia, o resultado final é algo capaz de marcar o espectador.


Decompondo para recompor, o professor Renato Valloni desconstrói o significado de montagem.

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