PONTO CINE: QUE NEGÓCIO É ESTE?


Com mais de 30 milhões em mídia espontânea, mais de 300 mil espectadores e cerca de 250 filmes brasileiros lançados, este cinema de 73 lugares, cravado no subúrbio carioca, chama a atenção do Brasil por combinar entretenimento, cultura e educação, ações sociais e mercado.

Prestes a completar sete anos, o Ponto Cine vive um dos seus melhores momentos. Depois de se firmar como a casa do cinema brasileiro – é o maior exibidor de filmes brasileiros no Brasil e, consequentemente, no mundo -, e de formar uma plateia considerável de cinéfilos para cinematografia nacional, no subúrbio carioca, conseguiu emplacar seus principais projetos estratégicos, o ProSocialCinema, Oficine-se e o Cine Literário e irá produzir um programa de televisão.

Um novo modelo

Neste modelo que propomos, o financiamento tem que visar preços mais baixos na bilheteria – o preço médio do ingresso no Brasil é um dos maiores do mundo -, e maior espaço de tela para o cinema brasileiro.

Hoje o Brasil hoje tem uma plateia considerável dentro dos padrões mundiais e com um potencial de crescimento invejável, tanto que vários atores famosos norte-americanos têm vindo lançar seus filmes aqui. Ano passado atingimos a casa dos R$ 1,6 bilhão em ingressos vendidos, um público pagante da ordem de 146,4 milhões de cinespectadores, porém só 10,62% desde montante, ou 15,5 milhões, pagaram para assistir a filmes brasileiros. Isso significa que cerca de 90% do nosso público consomem só importados, não se importando para onde o seu dinheiro vai.

O que quero dizer com isso: que o financiador, tem que ser também um investidor, tem que fazer parte do negócio como sócio, por exemplo, pois além de não termos garantias – bens particulares que cubram o montante -, ele tem que “acreditar” que o resultado vem na quantidade de ingressos baratos vendidos – por isso a qualificação como cinema popular –, e não na compensação do déficit com assentos vazios no modelo estabelecido de cinemas com ingressos caros.


Os projetos

O ProSocialCinema – Promoção Social de Cinema -, que se subdivide em três subprojetos, o CinemaEscola, o CinemaParaTodos e o Diálogos Com o Cinema, na verdade deu origem ao Ponto Cine.

Se por um lado chama a atenção os resultados culturais alcançados nas ações voltadas para a difusão do cinema brasileiro, formação de plateia e alfabetização do olhar, com desdobramentos sociais e na educação, diretos; por outro, sua eficiência e competência em lidar com o mercado impressionam especialistas, devido à consolidação de uma carteira diversificada de investidores: Petrobras, ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico -, RioFilme, Vale, Chemtech, Statoil, Secretaria Municipal de Educação e Minc e as Secretarias Estadual e Municipal, com suas Leis de Incentivo – Rouanet, ICMS e ISS. E de criação de produtos.O Cinema é consequência desse projeto, que subsidia cerca de 16,5 mil cinespectadores durante o ano, entre estudantes, professores e pessoas das comunidades do entorno, cerca de 20% da plateia do cinema. Seu diferencial está no aspecto inclusivo, ou seja, os estudantes, por exemplo, assistem aos filmes junto com cinéfilos que pagam por seus ingressos na bilheteria. Não existem as chamadas “sessões especiais” para eles. O que buscamos é a interação vertical da sociedade, tendo o cinema como ambiente de convivência, sem discriminação. Isso vem dando certo e se comprovando, no dia a dia, que é possível.


O Diálogos Com o Cinema vem se deslocando, naturalmente, tendendo a deixar de ser um subprojeto para se tornar um Programa. Tido como o maior sucesso do cinema, quinzenalmente traz um Diretor, um ator ou um produtor para debater com a plateia sobre um filme, geralmente inédito, após sua exibição, como acontecerá agora, dia 23, onde o ator José de Abreu estará presente para esse bate-papo, logo após a exibição do filme “Meu pé de Laranja Lima”.

Tenho sido convidado para dar palestras em Faculdades e Universidades e para participar de debates sobre Economia Criativa. São muito comuns as perguntas em relação ao sucesso do Ponto Cine e se temos intenção em expandir o projeto. Quanto ao sucesso, digo sempre que é resultado de um conjunto de fatores, que se inicia num ideal surgido ainda quando criança, passando pela persistência e se consolidando no aprendizado com os fracassos. Quanto à replicagem do modelo, depende de combinações que ultrapassam nossos esforços, como linha de financiamento, onde além de juros baixos, o foco seja o cinespectador e o cinema brasileiro.

O Oficine-se, que teve inicio em 2008 em trinta e três cidades do interior do Rio de Janeiro, chegou ano passado à Escola Municipal Tasso da Silveira – que ficou conhecida internacionalmente, por causa do atentado que sofreu há dois anos, em Realengo -, e incorporou a palavra paz à marca, passando a Oficine-se de Paz.

Lá, sessenta estudantes participaram de oficinas sobre toda a cadeia produtiva cinematográfica, desde a produção, passando pela distribuição à exibição, onde conviveram no segundo semestre com os premiados diretores do “5 x favela, agora por nós mesmos”; com o diretor e roteirista Rafael Dragaud, vencedor do Grammy Latino pela direção do DVD com especial da Globo “Ivete, Gil e Caetano”; com o premiado teledramaturgo da rede Globo, Euclydes Marinho – “As Cariocas”, “O Brado Retumbante” e “As Brasileiras”-, e conosco. Com a gente aprenderam técnicas de divulgação e exibição, foco principal do projeto.

Como resultado, a garotada realizou sete curtas-metragens, montou um Núcleo de Exibição e a Escola ganhou uma sala de cinema com tela polifônica, som 5.1, cortinas termoacústicas e projetor de alta definição. Está tudo pronto, só esperando para ser inaugurada.

Agora estamos inaugurando as primeiras midiotecas do Cine Literário, um projeto iniciado em 2004, numa Feira de Livros no SESI, em Duque de Caxias, que vem se aprimorando ao longo desses anos.

O Cine Literário atua em duas frentes: uma Mostra de filmes brasileiros baseados em livros da literatura brasileira, seguida de debates com seus respectivos diretores e escritores dos livros que os originaram; e doação de midiotecas a Escolas Públicas, com um acervo com 100 livros, 50 títulos duplicados, e 100 DVDs, 50 títulos de filmes, também duplicados, adaptados dos livros.

Junto com os acervos as escolas recebem uma TV Full HD, 3D, 47”, um Blu-Ray 3D, e 10 catálogos contendo informações sobre os filmes e livros, e participa de oficinas de catalogação, operação de equipamento e produção de exibição e debate. Um projeto simples e inovador, que tem ganhado alta repercussão no meio acadêmico e cultural.

As primeiras midiotecas serão inauguradas em 10 escolas da rede pública, de 19 a 30 de abril. Em seguida serão mais 32 a receberem os acervos e equipamentos, dentre elas duas escolas de Recife, duas de Brasília e duas de Florianópolis, como pilotos para a expansão do projeto.

Programa de Televisão

Quando imaginávamos que estava tudo redondo, que a embalagem estava pronta, era só fechar e dar o laço, surge a ideia de transformar os debates num programa de televisão.

Ator “Caio Blat” debatendo com a platéia do Ponto Cine.

Por indicação do diretor e roteirista Rafael Dragaud, fizemos um contato com a produtora Samba Filmes e deu samba. Fechamos uma parceria e vamos realizar dez episódios, com os dez debates entre os escritores e cineastas. E, para fechar com chave de ouro, fizemos um convite ao ator Caio Blat para ser o apresentador do programa.

Blat, que já tem uma história de anos com o Ponto Cine, topou de imediato: “tô dentro, esse projeto é muito bonito e muito importante, muito bom podermos realizar isso juntos”, disse o ator que acabou de atuar nas filmagens de “Alemão”, filme sobre a tomada do Complexo na Penha, por policiais.

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