Fazendo cinema de mãos dadas


Adailton Medeiros, criador do Ponto Cine, trabalha com os grupos de alunos

Mesmo com todo trabalho de produção minimamente detalhado, fazer cinema é algo que sempre toma rumos imprevisíveis. Isso fica claro quando visto, por exemplo, a interação que dois grupos das aulas de Direção de Audiovisual (DAV), tiveram com a turma de Interpretação para Audiovisual (IPA), no dia 17 de agosto. Mesmo com histórias diferentes, e elencos diferentes, ambos os grupos passaram por dificuldades comuns à todos aqueles que trabalham na sétima arte, bem como aproveitaram oportunidades e realizaram mudanças que nem imaginavam. Um grupo, que já tinha sua idéia e título completamente encaminhados, revelou que se reinventaram e mudaram o título e elementos da história. E no dia 17, mudou de novo! Isso acontece, por que mesmo com todo trabalho, o exercício da arte é algo em constante movimento, buscando prever a reação do público, como se os próprios realizadores fossem, também, espectadores.


A aula de DAV, nesse mesmo dia, foi totalmente construída em cima dessas idéias. Reinvenção, renovação e compreensão, dos diretores, roteiristas e produtores em entenderem, o que queriam passar com seu filme. É importante frisar que, ao elaborar uma história, é muito comum perder o rumo disso: quais temas estão sendo debatidos, se algum erro foi cometido, qual o diálogo que busca ser feito com o público. Durante o turno da manhã, os alunos tiveram auxílio de Adailton Medeiros, fundador do Ponto Cine, que analisou o texto de cada equipe, um por um, oferecendo sugestões e conversando com os integrantes para que se tornassem mais seguros da história que queriam contar, bem como ressaltar “erros” ou detalhes que poderiam ter passado despercebidos. Nesse quesito, o olhar de alguém de fora, alguém que não está tão imerso nessa narrativa e nessa produção como os alunos, é fundamental. As equipes respiram, pensando nesse filme, fazendo com que os mínimos detalhes, passem despercebidos, e que seja necessário a análise de outro, alguém que será o espectador, para que a própria equipe reveja e compreenda o caminho que trilhou.



O produtor de elenco Luiz Antônio Rocha mostra como foi feita a escolha de elenco na novela "Velho Chico"


Por outro lado, a aula de IPA, iniciou seu turno da manhã com a participação do professor Luiz Antônio Rocha. Produtor e diretor teatral, responsável por escalar o elenco da novela “Velho Chico” pela Rede Globo, e que abordou suas experiências no teatro, cinema e televisão pelo prisma da produção de elenco. Geralmente ofuscada, em meio à tantos outros cargos e departamentos, a mesma é fundamental para a execução de uma obra. No audiovisual, não há funções sobrando; pergunte a qualquer um que faz cinema, se é realmente necessário um continuista ou alguém que só opera a claquete: difícil é fazer um filme sem eles. Portanto, o produtor de elenco é aquele que transforma o texto do roteirista em algo realmente palpável, crível e real. Ele tem a preocupação de, por exemplo, se um personagem aparecer em fases diferentes da vida, encontrar os atores que darão vida a cada fase e tornar isso realista aos olhos do espectador. É se preocupar, até com o tom de pele do elenco de cada fase. Por meio de testes, indicações e um trabalho conjunto com outros setores, principalmente direção, figurino e o próprio elenco.


Exercício: alunos incorporam seus personagens

Já o turno da tarde de IPA, foi comandado pelo professor Gilson de Barros, coordenador do curso, que propôs um exercício aos jovens alunos de interpretação: um trabalho de improvisação, onde os alunos deveriam passar a relação e interação que seus personagens teriam um com o outro, por meio de um contato breve. Em duplas, cada um possuía três falas: “oi”, “tudo bem?” e “tchau”. A tarefa, que parece boba quando vista de fora, é um dos principais métodos profissionais que os atores têm, para entrarem de cabeça nos seus personagens. Mesmo com apenas três falas, cada improviso foi extraordinariamente diferente do outro, isso por que são personagens e pessoas diferentes, mostrando que o trabalho de criação não está restrito somente ao diretor ou roteirista: é muito em parte, também, ao ator. Com isso em vista, os alunos receberam uma “tarefa de casa”: a de escrever cartas para seus personagens. Imaginar suas características físicas e psicológicas. Pensar em como eles se comportariam em certas situações, como foi sua infância, onde moram: fatores que ajudam a tornar o personagem, em alguém verdadeiramente real. Para o ator que vestirá essa pele, e para o espectador que futuramente verá esse trabalho, a fim de estar imerso na história.


Como dito antes, ao final da aula, os cursos de direção e interpretação tiveram uma breve integração, um buscando entender o outro. Ambos, recheados de pessoas com vocações artísticas, que compartilham o desejo por criar e transmitir algo ao público, mas também, que possuem suas preocupações pessoais. Assim como qualquer outro trabalho, o ator se preocupa em entender no que realmente está entrando. Se será desperdício de tempo, se ajudará ele com aprendizado e portfólio: afinal, o ator também se preocupa em equilibrar o desejo artístico e a necessidade de cumprir com obrigações financeiras. O ator, não é uma figura mística: por mais que ele encarne o espírito de seu personagem, muitas coisas acontecem não só por talento como também, sorte. Todo ator tem sonhos e ambições, de ser reconhecido e valorizado. Entretanto, é fundamental estar com os pés no chão e viver o agora. Entender a motivação do por que, ele(a) faz o que faz. Isso é algo, que não se aplica só aos realizadores de direção e suas experiências mencionadas no começo do texto: mas por qualquer um, em qualquer trabalho.


Os cursos de direção e interpretação conversam sobre os filmes

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