A HORA E A VEZ DA EXIBIÇÃO CINEMATOGRÁFICA BRASILEIRA

O Fundo Setorial do Audiovisual, instituído pela Lei 11.437, vem se mostrando como um instrumento altamente potente e eficiente para o setor nesses últimos 10 anos. Alavancou a produção cinematográfica brasileira, que saiu do patamar da dezena para a centena de filmes produzidos anualmente, deu um gás substancial na distribuição, a ponto de fortalecer empresas brasileiras lançadoras de grandes sucessos de bilheteria, provocou a ampliação do Parque Exibidor se aproximando da tão propagada marca do meado dos anos 70 do século passado, em torno de 3,5 mil salas de exibição, o digitalizou, e deu um show ao injetar grana nas produções audiovisuais para que a Lei da TV Paga pudesse se sustentar.


Muito se deve a ele a taxa de crescimento do setor, que gira na faixa dos 9% ao ano (segundo o diretor-presidente da Ancine, Christian de Castro), e que aponta para um crescimento ainda maior para os anos seguintes, independente da crise que nos assola.


Porém, numa avaliação mais sensível e crítica, voltada especialmente para a cinematografia brasileira há um ponto cego em relação à exibição. Privilegiou-se a produção, a distribuição e no que diz respeito à exibição, a injeção foi na infraestrutura, ou seja, no setor de construção civil e compra de equipamentos de alta tecnologia. É fantástico ver a implantação de cinemas em regiões diversas do país, no entanto são complexos voltados para o mais do mesmo, que excluem de forma sistemática a cinematografia brasileira, lamentavelmente estrangeira dentro do seu próprio país.


Como resolver isso, a cota de tela seria uma solução? Não. Isso já está mais do que provado. A imposição não funciona. Muitos vão até argumentar, “mas a Lei da TV Paga que determina que os canais fechados exibam ao menos 3 horas e meia de produção nacional não é uma imposição?” Diria que não; e sim, um acordo, já que esses canais de Tv podem fazer parte da cadeia de produção e distribuição, como investidores do produto a ser exibido e serem remunerados por isso.


Se quisermos eleger a cinematografia brasileira como “Produto Interno Bruto” e de exportação, temos primeiro que formar mercado aqui dentro do país, criar desejo e consumo, fortalecê-la internamente para que crie musculatura.

Se quisermos eleger a cinematografia brasileira como “Produto Interno Bruto” e de exportação, temos primeiro que formar mercado aqui dentro do país, criar desejo e consumo, fortalecê-la internamente para que crie musculatura. E como se pode fazer isso? Tão obvio quanto o Ovo de Colombo, criando uma linha de investimento para cinemas que topam exibir os filmes brasileiros, onde os resultados mensuráveis seriam avaliados a partir do público que ocupam suas salas, ou seja, quanto maior o número de público maior a pontuação, levando-se também em conta a variedade de títulos e gêneros que teriam também um peso e diversificariam a programação.


Alfabetização e educação do olhar exige um tempo maior e um trabalho mais apurado, uma dedicação exclusiva. Vai além de encostar o umbigo no balcão e se satisfazer com a grana da pipoca e do refrigerante, enquanto o outro de fora, exposto na tela, sorrir mostrando seu dente de ouro com a venda de grandes marcas de roupas, carros, equipamentos eletrônicos e conceitos que invadem as nossas cabeças e nos inundam com a sua cultura.


Por Adailton Medeiros.

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